Sabe
quando você não sabe se esta acordada ou sonhando? Eu estou exatamente nessa
situação.
Eu não sei exatamente onde estou,
parece um parque porque tem um lindo gramado que parece nunca
terminar, vejo uma fonte e algumas flores e arvores gigantes fazendo um sombra
muito refrescante, o sol esta forte mas não sinto muito calor, esta tudo
neutro, eu não consigo escutar nenhum som, mesmo assim estou vendo duas
garotas deitadas na grama dando gargalhadas com risos que não consigo
escutar. Uma das garotas esta usando um
lindo vestido branco e rodado, suas feições, sua aparência tão familiar... Oh! Ou melhor... Olhando de
perto, ela...ela.. sou eu! Essa garota sou eu, e a outra... Não me é estranha, quando a
vejo tenho uma sensação de saudades, seu rosto e seu sorriso me acalma, me faz
sentir em segurança, me faz sentir algo que não sinto faz muito tempo, mas quem
é ela? Algo me diz que eu deveria saber mas...mas não lembro...
–Aminee ..!!
Mãe? ..
–Aminee. .!!
anh?
-Aminee acorda! Tem aula hoje, não tem?
–Hum.. ahh.. cal, são que horas? – que
estranho parecia a voz de minha mãe –
–6:30, você esta atrasada não?
–Ahh minha aula é oito horas, e não é aula, é
prova .. -prova dia de sábado, um saco!
–Esta certo, quer que eu prepare alguma coisa
pra você?
–Ovos, dois por favor.. - disse
ainda bocejando, não... Não quero sair da cama ainda. E aquele sonho, pensei
comigo mesmas, aquela garota... Porque tenho a impressão que estou cometendo um
crime ao não reconhecê-la... AHH! Que dor de cabeça, vou pensar nisso depois,
me levantei e fui cambaleando ate ao banheiro, minha cara estava uma desgraça,
joguei o cabelo pra traz, lavei o rosto e desci direto pra cozinha, o cheiro de
ovo estava me deixando com água na boca.
Como
sempre cheguei atrasada no colégio, 8:08 , marcava o horário no relógio do
carro quando sai em um pulo correndo para o portão, ao chegar na sala ao contrario do que acontece nos dias de aulas, só tinha lugar na frente,
putz... Logo hoje que eu queria pescar um pouco, não estudei o suficiente
ontem, merda...
Terminei
a prova morrendo de dor de cabeça, faz três dias que essas dores me atormentam e eu lerda como sempre esqueci de trazer o remédio, bom, pelo menos não fui
tão ruim na prova como achei, espero... Avistei de longe Lisia e fui logo me
juntar a ela e claro fiz a pergunta mais comum depois de uma prova...
– como foi na prova?
– Bem. -disse ela olhando por de cima do
livro que lia, olhei na capa e nela tinha escrito “As Crônicas do Rei Artur
“
– Que
bom pra você, já pra mim a coisa não é tão boa assim.. - disse com um tom de desanimo..
–Se você
quiser ajuda nas próximas provas Nine é só falar certo?
– certo,
valeu Liu -Lisia é uma garota
pequena considerado a minha altura, tem traços indígenas com olhos amendoados,
um cabelo comprido que ela usa liso e uma pele mulata. É uma garota que eu
julgo muito inteligente, é complexa mas muito divertida digo que é um tipo de
personalidade rara, acho que ela tem sorte porque pelo seu perfil ela só deve
ter amigos de verdade, bem eu a valorizo como uma grande amiga. Sentei ao lado
dela e algo me disse que eu deveria lhe contar sobre o sonho quem sabe ela não
tinha uma hipótese do que poderia significar o sonho.
–Como
assim tem a impressão de que deveria saber quem era a garota? - perguntou ela com cara de quem deveria esta me
achando meio louca.
–Sei lá,
eu não faço à mínima ideia de quem é ela mas sinto ao mesmo tempo que já a
conheço a muito tempo e que estou
cometendo um crime no momento que não a reconheço. - Eu disse meio confusa, sim, até eu estava começando
a desconfiar de minha provável loucura.
– Pode
ser uma lembrança, algo que já aconteceu e você esta relembrando nos sonhos - disse ela fechando o livro e começando a se
concentrar na conversa, gosto do jeito como ela dá importância as coisas que eu
falo
–É pode
ser isso mesmo, mas mesmo assim é estranho - eu
terminei a frase com uma careta, e colocando a mão sobre a cabeça, ahh merda! Minha
dor que tinha ido embora não demorou muito pra voltar e agora mais forte
– Dor de
cabeça de novo? -Liu perguntou com um
tom de preocupada, ela meio que tinha percebido que eu andava reclamando de
dores recentemente, foi um alivio a vê tirando uns comprimidos da bolsa que
estava em cima da mesa ao mesmo tempo em que falava
–Pois
é.. - eu disse ao mesmo tempo em que pegava o
remédio na mão dela estendida em minha direção – Obrigada – disse
sorrindo, e também meio sem graça ao perceber que ela sabia que eu era lerda o
suficiente para esquecer o remédio depois de um temporada de 3 dias de dores de
cabeça
De repente
alguma coisa me agarrou por traz, ou melhor, alguém, e esse alguém é Tainá, ela
me abraçou e depois me girou para eu ficar de frente a ela e simplesmente
perguntou
– Como foi na prova? - Ainda tentando me recuperar ao susto,
respondi com uma cara meio triste
– Fui mais ou menos.
Então aquele sorriso de criança boba que se
destacava no seu rosto mudou rapidamente para uma cara seria cheia de
preocupação de uma mãe experiente, a mesma expressão que Lísia tinha feita
momentos atrás
– O
nine, você sabe que qualquer coisa, qualquer dificuldade é só pedir minha ajuda
certo?
-Er..
certo, obrigada Tai - falei meio sem
jeito, sabe eu fico tão feliz por ter amigas que me apoiam dessa forma e queria
recompensar tudo isso, mas como? Eu teria que pensar nisso, depois que tudo
aconteceu minha vida ficou de cabeça pra baixo e acho que se não fosse o apoio
das minhas amigas hoje eu não teria muita força pra continuar no ritmo, por
isso eu queria fazer alguma coisa pra agradecê-las.. – Seu celular nine! – falou
Tainá, interrompendo meus pensamentos – Ah! – meu toque é escandaloso,
mas não sei como eu ainda não tinha percebido ele tocando, é como se eu tivesse
ficado fora de mim naquele pequeno estante em que pensava.
–Ah! -eu disse novamente da forma mais patética, olhei e
era o meu irmão Carlos, não atendi, o toque significava que ele já havia
chegado.
–Estou
indo pra frente, meu irmão já chegou. - sai
arrastando Tainá, olhei pra Lísia que já tinha voltado a ler o livro e dei um
tchau pra ela, ela retribuiu, ao chegar na porta vi um celta preto 2 portas me
esperando, me despedi de Tainá e corri para o carro.
Adoro o cheiro de almoço sendo preparado, sempre
que chego do colégio eu sinto esse cheiro da porta. Sinto cheiro de fritas,
quando cheguei na porta da cozinha encontrei meu irmão Vitor cozinhando , ele
sorriu pra mim e ao mesmo tempo enxugou seu rosto do suor com o pulso evitando
sujar o rosto de óleo melado na sua mão – Oi ! como foi? -eu retribuir o
sorriso e simplesmente menti – Fui bem, melhor do que imaginava - você
pode estar se perguntando o porque da mentira, sabe eu não tenho o costume de
fazer isso, mas é que eu queria evitar mais um rosto de preocupação, acho
melhor assim, bem evitando que a conversa se prolongasse já que eu sou péssima
pra mentir, peguei uma das fritas que estava secando do lado do meu irmão, lhe
dei um beijo e subir rapidamente pro meu quarto, me joguei na cama e senti
novamente a dor de cabeça, peguei no meu bolso o remédio que Liu havia me dado,
engoli a seco e fechei os olhos na espera da melhora..
–Quando
será a nossa próxima fuga?
–Amanhã
antes de dormir, fechado?
–Fechado!
–Hahahaha..
- que estranho, essa risada, esse rosto, esse
lugar porque eu tenho a impressão que já conheço, novamente aquele enorme
gramado onde terminava no horizonte , eu e mais alguém.. – Quem é você? -minha voz não saia, eu
era somente uma observadora, via tudo do alto, me via sorrindo e conversando
naturalmente com alguém, e do nada uma voz conhecida..
– Amine,
vá lá brincar, junte-se ao seu corpo! - olhei
assustada e percebi na surpresa quem era
–Mãe?
como assim? - eu estava oficialmente
confusa
– Não
questione apenas vá! - Ela fez um
movimento com as mãos como se me empurrasse, e então senti um súbita sensação de
queda, ouvir um grito insano que eu não sabia de onde saia, era eu que estava
gritando? Então lá estava eu, deitada na minha cama, olhando para o ventilador
que rodava lentamente no teto, um sonho? Estiquei a cabeça pra traz e olhei
para a janela e...já estava escuro! Dei um pulo da cama, peguei o celular e
– 18:45 não acredito! - disse em voz alta, eu estava toda suada e ainda
vestida com a farda, eu estava com o coração disparado e com a impressão que
tive um pesadelo, mas...me falhou a memória e não consigo me lembrar exatamente
do que aconteceu, odeio quando eu acordo de um sonho e logo depois esqueço, fui
andando direto pro banheiro mas antes que eu chegasse na porta alguma coisa me
tocou o ombro por traz eu me virei, era Vitor, meu irmão do meio, mas ele
estava assustador, sua boca estava entre aberta e seus olhos revirado ele
murmurava algo –O que..o que.. esta fazendo nesse mundo..? - eu soltei
um grito horrorizada e me afastei rapidamente dele dando longos passos pra
traz, então alguma coisa agarrou o meu pé me derrubando de traz, bati a cabeça
com força no chão e... lá estava eu deitada na minha cama olhando pro ventilado
de teto novamente, meus olhos estavam cheios de lagrimas e eu estava
completamente molhada de suor, busquei a cegas o meu celular no criado mudo e
botei na frente do rosto, era 2 da tarde, então foi tudo um pesadelo, pensei
comigo, decidir que não ia pensar em nada do que aconteceu por enquanto, minha
cabeça tinha voltado a doer, tomei um banho e fui estudar.
O 1º cenário