–Quem
são vocês? -eu perguntei
completamente confusa, la estava eu novamente naquele enorme gramado, sentado e
três garotas ao meu redor, elas estavam com os olhos fechados e falavam algumas
palavras que eu não compreendia, fechavam um circulo ao meu redor segurando uma
na mão da outra, ninguém me respondeu.
–Quem
são vocês?! -então perguntei de
novo meio agoniada
–Amine o
dia esta chegando, é melhor você se apressar...- isso foi a ultima coisa que me lembro do sonho.
–Que estranho sinceramente, eu tenho medo dos seus sonhos -Disse Lísia entre uma colherada a outra de um
delicioso sorvete de casquinha que tínhamos comprado no Mc
Estamos nos único shopping da cidade só passando o tempo, na verdade Lísia
me ligou ontem quando eu estava estudando perguntando se eu não queria sair com
ela pra passar o tempo e fazer umas compras hoje de tarde, não perdi a chance é
claro, depois daqueles pesadelos horríveis que eu não conseguia parar de pensar,
precisava de alguma distração pra tirar aquilo da cabeça, Lisia estava cheia do
dinheiro mas até agora não tinha comprado nada, já tinha ido na metade das lojas
mas não se contentava com nada, eu não tinha nada precisando pra comprar.. na
verdade até a hora em que passamos em frente a uma livraria, onde a arrastei
até a porta, mas ela ficou do lado de fora porque é proibido alimento dentro da
livraria, eu não sabia exatamente o que tinha me atraído mas simplesmente lá
estava eu, e lá também estava ele, era alto, nem muito, um pouco mais alto do
que eu, deveria ter uns 1,80, seus olhos eram negros que falavam mais do que as
próprias palavras, assim como seus cabelos, negros, curto, liso, meio bagunçado
e um pouco espetado pra cima, tipo o cabelo de Sid Vicious( Antigo Baixista de
Sex Pistols) vestia uma calça jeans escura rasgada na barra, com um All Star
preto padrão , uma blusa de botão listrada aberta por cima de uma outra preta
que deveria ser de alguma banda, não reconheci o nome, um combinado que caiu
perfeitamente naquela pele branca dele, não sei como percebi todos esse
detalhes, ou melhor eu sei, quando pensei em olhar um livros na parte de
quadrinho quase derrubo tudo em cima de mim, mas graças ao reflexo rápido dele
que quase não morri soterrada de livros, depois da ajuda eu meio que ainda meio
tonta o agradeci da forma mais débil possível e a única coisa que ele fez foi
dizer – de nada, e cuidado - Acompanhado com o sorriso mais branco da minha vida
e saiu, ele simplesmente saiu e eu fiquei ali parada, paralisada, o olhando
sair da livraria com uma sacola levando “ Artes e Guerra” um livro de ação
oriental que ele pegou logo depois de me ajudar. É... eu deveria estar muito
distraída o observando enquanto ele ia se afastando porque quase que tenho um
ataque cardíaco quando Lísia me gritou ao mesmo tempo que tocava meu braço por
traz me chamando..
– Hei terra chamando Amine, tem alguém ai?
– Ah, er, oi..-eu disse finalmente
ainda tentando me recuperar do susto
– Pra onde você estava viajando? -disse inclinando a cabeça como se tentasse ver o mesmo ângulo em que eu
estava olhando
–Er.. Nada, nada, uma coisa ai, sem muita importância - tentei disfarçar olhando pro outro lado
–Sei e essa coisa por acaso seria ele? – ela disse com um riso sarcástico enquanto apontava
pro garoto, o tal gato, que agora estava parado na porta conversando com uma
garota loira, fiquei vermelha no mesmo instante, não falei nada, minha mudança
de cor entregou o jogo, Lisia então passou o resto do dia dando indiretas por
causa dele, e o pior de tudo, por mais estranho que seja eu não o conseguia
tira-lo de minha cabeça, mas eu nem o conhecia e nem nada, mas não sei porque..
é.. é oficial, podem me deixar no hospício porque acho que estou ficando louca.
Se eu te
contar que não conseguir parar de pensar no tal garoto você acredita? Sendo que
nem ao menos eu sei quem é ele, nem mesmo o seu nome eu sei, mas a única coisa
que eu sei é que ele possui uma aparência estranhamente bonita, ele não segue
um padrão de beleza, é mais meio que um estilo próprio, um charme misterioso,
como é que eu posso estar pensando em todos esses detalhes em um encontro de 2
minutos?
E foi assim que passei a minha segunda,
não conseguia tira-lo da minha cabeça, era como se algo nele me prendesse
fazendo com que eu fugisse da realidade e isso estava me enlouquecendo. Eu
tinha que fazer alguma coisa, precisava me distrair, ou quem sabe procurar
saber quem é ele..não! Isso é loucura, mas ai o que eu faço?
– Amine!!!Eii, Está me ouvindo? - e foi
assim que eu me desliguei do meu bla bla bla interno, com um grito de
ensurdecer de Tainá ao meu ouvido.
– Hã?
– falei de forma retardada fazendo uma careta por causa do grito.
–E ai? Você vai comprar lanche?
– Ah, e..
acho que vou, hum.. quanto é uma peça e um refri?
–Aff, você pergunta isso sempre, é 2,70 R$ gucha,
me dá o dinheiro que eu compro.
– A valeu
– não sei se ainda falei sobre Tainá, ela é uma amiga super astral minha, a
conheço desde a 7ª serie , ela tem minha altura, pele negra, com traços
indígenas. É meio tagarela e com uma mania de falar alto, mas eu gosto disso
nela, ela também é muito inteligente e também adoro ler, ah sim, e uma mania
estranha de me chamar de gucha, fazer o que ne?
–Tudo bem com você gucha, estou te achando tão
distraída...
–Ah, e.. não, não é nada! – falei
desesperadamente, tentando esconder o fato que fiquei muito vermelha com a
pergunta, a merda, as pessoas já estão percebendo, eu preciso tirar esse menino
da cabeça agora!
– Ei não
adiante mentir, esta na cara que tem alguma coisa, vamos lá comece a falar!
– Não, nada
eu juro! - Disse tentando disfarçar, já não chega esses pensamentos
estranhos e Lísia me perturbando é melhor evitar, assim é mais fácil esquecer
–Há! Vamos desembucha - Tainá tem um poder
incrível de fazer você falar as coisas, eu não conseguir de forma alguma mentir
pra ela, não sei como estou conseguindo esconder dela os sonhos..
–É um cara muito estranho, que eu conheci ontem
na livraria, eu não sei nada sobre ele, mas estranhamente não consigo tira-lo
da cabeça!
– Falei rapidamente e resumindo tudo, no final fechei os olhos em reflexo a uma
timidez estúpida. Tainá só fez me olhar com um sorriso na cara, acho que ela
entendeu que eu não queira mais falar sobre isso, porque ela simplesmente
sorriu e disse
–Bem depois falamos disso, vou comprar a ficha ,
vá logo pra fila do lanche – e pronto, saiu.
Eu ainda
fiquei ali por um tempo, parada olhando pro nada, pensando o quanto eu era
estúpida, deveria contar mais com minhas amigas, mas mesmo assim parecia que eu
estava mais distraída com os pensamentos, botei os fones de ouvido do MP4,
estava tocando Juliet de Emilie Autumn e me levantei, bem não sei explicar
exatamente o que aconteceu em seguida, só sei que foi muito, mas muito
estranho.
Em um estante
eu estava no pátio, no outro eu estava novamente naquele infinito jardim
gramado, avistei de longe as tais garotas que vi no ultimo sonho, e inconscientemente
me aproximei delas, ao olhar em suas expressões pareciam estar tão surpresas
como eu, estavam novamente sentadas de mãos dadas, mas agora estavam de olhos
aberto, com uma vela branca acesa no centro, e observei um objeto de metal que tinha o
formato de pentágono, a primeira a me ver foi a mais alta, ela fez uma cara
como se não estivesse acreditando no que estava vendo, seu olhar chamou atenção
das outras três, que se voltaram pra mim, logo em seguida, uma mais baixa com
cabelos vermelhos foi a primeira a falar.
–Porque esta aqui a essa hora? - Eu não entendi o que
ela quis dizer com essa hora, já estava de saco cheio desses sonhos estranhos,
de não entender merdas do que andava acontecendo, por isso fui direta ao ponto.
– Eu é que pergunto!
Isso é mais um sonho não é? Quem são vocês? O que quiseram dizer com “O dia
esta chegando?”, porque mesmo eu tendo total noção que é um sonho não acordo
por conta própria? - a ultima pergunta falei me lembrando de uma coisa que
as pessoas costumavam dizer, que quando descobrimos no sonho que ele é um sonho
logo em seguida acordamos.
Elas se
entreolharam novamente, mas dessa vez eu não soube decifrar suas expressões, a
mais alta então fez um gesto pedindo pra que eu me juntasse a elas.
–Então você não sabe quem nos somos? -perguntou a 3ª garota,
ela tinha uma altura mediana, e cabelos pretos e curtos um pouco ondulados.
Balancei a
cabeça em sinal negativo
– Quando as vi na ultima vez foi à
primeira, mas pelo o que parece vocês me conhecem, quem são vocês? –
perguntei novamente ficando mais aflita
–Se você realmente não sabe quem nos somos, fica
mais difícil de explicar- disse a ruiva
–Como assim? - Perguntei muito confusa, mas elas não
me responderam, ou melhor, fizeram uma pergunta a qual eu julguei completamente
inesperada.
–Você sabe quem era sua mãe? - eu tomei um susto
quando ela perguntou, normalmente não falava sobre minha mãe nem mesmo com meus
irmãos, desde que ela faleceu no inicio desse ano, e do nada uma completa
estranha pergunta sobre ela, demorei um tempo pra falar, não sabia exatamente
como responder aquela pergunta
–Como assim quem era minha mãe? Eu não estou mais
entendo nada, o que você sabe sobre ela?
–Apenas responda Amine, você sabia o que ela
fazia? Em que vivia trabalhando em casa?
– É claro que sei, ela era funcionária publica,
trabalhava na justiça do trabalho, na área de distribuição de processos, não
sei exatamente com o que ela vivia trabalhando em casa, mas com certeza era
algo relacionado ao trabalho, mas porque a pergunta? O que vocês querem? - eu estava ficando cada vez mais aflita,
quem eram essas três estranhas, porque essas perguntas estranhas sobre minha
mãe, porque esses sonhos estranhos estão acontecendo, eu não conseguia para com
os por que!
De repente as
coisas começaram ficar brancas, então a mais alta disparou falando com muita
pressa.
–O tempo esta acabando, não entendemos como você
veio parar aqui sem ser no meio de um sonho se nem ao menos sabe quem é, de
noite pense em nós antes de dormir e ira nos encontrar novamente, guerreira dos
sonhos puros.
Então eu estava de volta, quero dizer, agora estava vendo nada mais do que 3 pessoas olhando atentamente a mim, meus dois irmão e um homem que parecia ser um medico, olhei ao redor e me parecia que eu estava em um hospital, estranho, muito estranho.
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